Hoje junto uma simpática mosca (pelos vistos existem) a um grupo de animais do bosque bem representativo da nossa sociedade: há um urso cético — que se revelará prepotente —, uma raposa aventureira, um coelho hesitante, um esquilo otimista, uma perdiz hiper-realista e uma coruja lacónica.
Em ambos os livros, um botão vai (ou não?) desencadear uma série de consequências inevitáveis.
São duas histórias de suspense e humor — para menores de 6.
Em A mosca, acompanhamos a ida a banhos. De uma mosca. Tudo parece correr bem até que uma nuvem negra ameaça o tão esperado programa.
Não sei se a enxurrada e a gargalhada acontecerão ao mesmo tempo ou se há uma que se antecipa à outra. Dependerá da idade, da perspicácia, da imaginação, talvez.
Em Não toquem neste botão, o perigo parece estar iminente desde sempre, mas só naquele dia os animais se questionam sobre a presença de um lindíssimo e apetecível botão vermelho plantado no chão do bosque, qual cogumelo.
Nesta fábula, as personagens vão mostrando as suas inquietações, desejos, dúvidas e medos revelando, ao mesmo tempo, as suas maneiras de ser. Como seres humanos.
Também aqui o riso chegará no fim, na página-revelação. Sendo que ainda temos direito a um stinger, para dobrar a gargalhada.
Os recipientes brancos e ocultos da casa das minhocas ou da sanita são cenários habitados que, revelando o contexto, aliviam (passo a expressão) o suspense que se vai acumulando.
Dois livros que partem de duas ideias muito simples, e em que, ao lê-los podemos recuperar a deliciosa ingenuidade e curiosidade intrínsecas aos pequenos seres que todos já fomos.
Numa altura em que a expressão "carregar no botão", com o peso destruidor que tem, é usada com demasiada normalidade, que luxo poder recuperar este tempo-lugar da infância, em que os animais falam para nos ouvirmos a falar e em que a ideia de carregar num botão ainda faz tremer moscas, meninos e animaizinhos do bosque.












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