26.8.16

repost#18: Shut-the-box [13012010]

Li algures que entre os 3 e os 6 anos os meninos entravam na idade do jogo. Cá em casa confirma-se.
Como, aparentemente, também entusiasmamos outras pessoas a entrarem em despesas nos jogos (é por bem, é por bem!), a prateleira-de-baixo vai passar mostrar alguns deles.
E começo com um must: o "shut-the-box".

O B aprendeu os números negativos, com o Avô, no elevador para a garagem e a contar até depois dos 100, com o Avô, a ver básquete. O Avô adora números e é a ele, de certeza, que sai...
Se aos 4 a curiosidade se voltou para as letras, desde os 2 anos que os números são os reis na sua mente lógica e carregada de regras.

(Estranho até a súbita aparição de uma espécie de animal visual na maneira como desatou a ver coisas nas nuvens, nos rótulos, nos rabiscos ou no modo como desenha compulsivamente depois de anos de recusa.)
Para ele, este jogo serviu apenas para visualizar o que já fazia; para outros meninos que ainda não o fazem, ajuda a tornar os números palpáveis tratando a matemática como um jogo.
O T também já quer jogar; por enquanto lança os dados e baixa as peças dos números que lhe vamos dizendo para baixar. O que significa que às vezes nos ganha a todos.

O "shut-the-box" existe pelo menos desde o século XII, na Europa, mas não se sabe exactamente de onde vem. É um jogo de decomposição de números — dito assim parece chato mas, garanto, é divertidíssimo. Pode funcionar como um jogo solitário ou como uma competição.
Começa um jogador. As peças de 1 até 9 estão levantadas e lança-se os dados. Imaginemos que o total é 12.
Poderemos fechar a peça 9 e a 3, ou a 8 e a 4, ou a 7 e a 5, etc.

Volta-se depois a lançar os dados e, desta vez, já só se pode fechar as peças que não se tiver fechado na jogada anterior, e assim sucessivamente.
Quando o valor não der para decompor pelas peças que sobram,
lê-se os números das peças que ficaram levantadas. Lê-se, não se soma. Por exemplo, se ficaram levantadas as peças 1, 3 e 7, o jogador ficará com 137 pontos; ou se sobrarem as peças 2 e 8, o jogador ficará com 28 pontos.

Depois joga outro jogador da mesma maneira (tantos jogadores quantos queiram), ganhando a ronda aquele que tiver menos pontuação. O objectivo é conseguir fechar a caixa: quem consegue fechá-la, soma 0 pontos e ganha! Por cá, normalmente, joga-se por rondas até aos 10: quem fecha a caixa ganha 3 pontos; se ninguém fechar a caixa, o jogador que fizer a menor pontuação ganha 1 ponto.

[dica: quando não temos o jogo à mão, construímos um em papel, mas é mesmo bom fechar as peças, fechar mesmo a caixa!]
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EDITADO NA TIGER
oferecido!
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para jogar online aqui
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25.8.16

repost#17: Creature [11012010]

Pediu mais animais ao Pai Natal.

Ele foi generoso e,

além de mais uns para a colecção,

trouxe estes:

Não será um livro infantil mas eles gostam tanto dele

como eu.

É até engraçado constatar que o jogo que fizeram foi exactamente

o que nós fizemos:

parece um pneu,

parece um diospiro,


parece dança,

parece uma cidade,

parece pintura,

parece comida.
As fotografias de Andrew Zuckerman foram tiradas ao longo de 5 anos.

Diz ele:
"By both removing all sense of context and capturing the most infinitesimal movement,

I hope to not only preserve a moment in time,

but to completely eliminate the idea of time."

O fotógrafo fala das idas familiares ao Museu de História Natural, em NY,

na sua infância,

e do caminho - conceptual e técnico - que este projecto tomou até chegar hoje a este livro.

O texto é interessantíssimo, mas bastavam bem estes belos retratos

por vezes difíceis de olhar.

Tomara a muito boa gente esta

ou esta

ou esta

elegância.
É difícil não pôr aqui todo o livro

e ainda mais difícil mostrar também a fabulosa paginação.

Resta agradecer, no final, um excelente glossário

essencial à minha ignorancia sobre o reino animal, bem maior do que aquilo que julgava.
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Creature
Abrams, 2009
Andrew Zuckerman
isbn 9780810980419
visto e comprado aqui


*título roubado a uma canção deste senhor.
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24.8.16

repost#16: Robinson Crusoe [01012010]

Não foi difícil escolher o livro para inaugurar o ano.

Este é um livro tão arrebatador que assenta como uma luva neste dia tão cheio de zeros e uns, tão de começo.

Disse um dia Matisse que os pintores deviam cortar a língua.

É disso que me lembro quando me sento para escrever sobre um livro só de imagens;

deste em particular.

Nada do que me ocorre dizer me parece demasiado urgente, adequado, essencial ou certeiro perante esta sucessão de desenhos deste autor cubano.

Aqui fica um diálogo:
-Já leu o livro novo?
-Não, é muito complicado.
-Mas se não tem uma única palavra!...
-Mesmo assim.

Não estranhou minimamente que o Pai Natal tivesse escolhido para ele um livro sem palavras logo agora que consegue ler.

Passa umas páginas de vez em quando, distraído, entre jogos, pinturas, apanha de limões à luz de lanterna, descoberta de folhas e pedras mistério, e Pantera-Cor-de-Rosa.

Aos dois, preocupa-os Sexta-feira, rodeado pelos maus. E estranham as páginas muito brancas,

de areia,

embora digam logo que é areia.

Não foi difícil escolher este livro para inaugurar o ano porque ele mostra todas as coisas que cada ano reserva de bom e de menos bom. E de como devemos entrar nele bem de frente.

Então, em vez de agora palavrar todas essas coisas,
deixo apenas outras imagens que dizem muito mais do que aquilo que me atreveria a dizer






e corto a língua.
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Robinson Crusoe
Media Vaca, 2008
Alberto Morales Ajubel
isbn 9788493598204
comprado aqui
Obra vencedora do Prémio Ficção 2009 na Feira do Livro para Crianças de Bolonha

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Da obra que deu origem a esta The Life and strange Surprizing Adventures of Robinson Crusoe of York, Mariner: Who lived Eight and Twenty Years, all alone in an un-inhabited Island on the coast of America, near the Mouth of the Great River of Oroonoque; Having been cast on Shore by Shipwreck, where-in all the Men perished but himself. With An Account how he was at last as strangely deliver'd by Pyrates. Written by Himselfde Daniel Dafoe, 1719
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