2.12.16

O dia 1 é para festejar

O miúdo fez 6 anos. Finalmente, diz ele.

Nasceu numa casa de histórias, onde o pai escreve, a mãe escolhe, os irmãos devoram — perdão — leem livros. Os livros já por cá andavam quando ele apareceu assim tão de repente, e agora vão forrando as paredes e o chão, mas também o interior das nossas cabeças, corações, sei lá eu.

Desatou a ler tudo o que lhe aparece à frente e eu vou espreitando por trás do ombro a magia dos desenhos que se fazem palavras e antecipando as histórias que irá ler "para dentro". Por agora, lemos histórias a meias; ele orgulhoso, eu também.


Tendo três rapazes relativamente seguidos, há coisas que fazemos igual para todos, que se tornam rituais. A taça dos 6 anos é uma delas. Há anos que via as dos irmãos e que ansiava ter a dele, com o seu nome inscrito, a prova de que chegou a esta meta magnífica, os 6 anos!

Uma cova é para escavar, mas também pode ser para esconder coisas, ou para tapar, ou para plantar uma flor, ou para escorregarmos. Uma cova é uma cova, será?
Esta pérola dos anos 50, terra-a-terra e filosófica ao mesmo tempo, funciona como um manual de explicações para a infância (para os meninos) ou da infância (para os crescidos).

Há coisas realmente óbvias como "Um professor é para te tirar os picos" ou "O soalho é para a casa não se afundar" ou " Um relógio é para ouvir tiquetaque". Porque, aos 6 anos, o mundo é assim, de fácil explicação, óbvio.

Mas é também a altura em que, se tudo correr bem, começamos a ter noção de que "O mundo é assim para que tenhas o teu lugar" e de que "Os braços são para abraçar", coisas (obviamente) tremendamente filosóficas, a fazer lembrar outros livros.

Este Uma cova é para escavar (o primeiro livro da dulpa Krauss/Sendak) é um livrinho que é na verdade um grande livro; como este miúdo que por aqui anda, espantado com o mundo e o mundo espantado com ele.
O livro das primeiras explicações, é o subtítulo desta obra. Perguntam-me para que idade é o PACOTE e eu respondo, "ponham a data de nascimento"; porque, digam lá, quem não gostaria de receber esta preciosidade em casa pelas mãos do carteiro?

O miúdo fez 6 anos e o sol voltou a brilhar por umas horas, brilhante e branco de dezembro, como sempre tem feito desde 2010, neste dia, feriado ou não. O dia foi fantástico.
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Uma cova é para escavar — O livro das primeiras explicações
Kalandraka, 2016
Ruth Krauss texto, Maurice Sendak ilustrações
isbn 9789897490644





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29.11.16

O PACOTE-da-prateleira-de-baixo!

Finalmente, o grande dia, que venho preparando, assim com um gerúndio tão português, há já alguns meses: o PACOTE-da-prateleira-de-baixo!


Se espreitarem o site, vão ver que está diferente, com mais uns separadores:
Há o BLOG, que aqui vai continuando a mostrar e a arquivar excelentes livros.
Há o SOBRE, onde me apresento e explico o que é a prateleira-de-baixo.
Há o CONTACTO, com o endereço onde me podem contactar.
Há as FAQs, onde procuro responder a algumas questões que me têm colocado e a outras que poderiam colocar.
Há uma outra novidade, as DICAS de leitura, onde procurei alinhar alguns rituais que fomos seguindo mais ou menos por acaso e que têm dado bom resultado na relação dos miúdos com os livros e a leitura.
E o PACOTE. Bem, mas afinal o que é o PACOTE?
O PACOTE-da-prateleira-de-baixo é uma curadoria de leitura personalizada que vai fazer chegar livros a casa dos assinantes todos os meses.
Cada miúdo inscrito recebe em casa dois livros por mês, escolhidos especialmente para ele. Ao fim dos três meses, recebe também um jogo, mesmo a tempo das férias.

Por regra, faremos a seleção dos livros a partir do catálogo das editoras-parceiras, mas procuraremos também surpresas em feiras e alfarrabistas.
Como parceiros desta aventura, temos:


https://www.pato-logico.com/http://www.planetatangerina.com/pthttp://www.bruaa.pt/http://orfeu-negro.myshopify.com/collections/orfeu-mini

http://serrote.com/
http://www.presenca.pt/livros/infantis-juvenis/?UDSID=%A7%A7%A7%A7001611250014200013832768%A7%A7%A7%A7http://www.kalandraka.com/pt/novidades/http://www.morapiaf.com/









Ainda aguardamos mais alguns, mas já estamos muito bem servidos, não acham?

Pensei o PACOTE para:
quem teve o primeiro filho e quer, desde já, começar a construir-lhe uma biblioteca;
quem já tem filhos, (re)conhece o papel fundamental da leitura e quer incentivá-lo;
quem está longe de Portugal mas quer garantir que os miúdos continuem — ou comecem! — a ler do melhor que há para ler em português;
quem está longe de uma boa livraria;
quem precisa de uma mão — na correria dos dias — para encontrar um bom livro;
quem quer dar um belíssimo presente a um filho, neto, sobrinho, afilhado;
quem quer construir uma boa biblioteca mas não acompanha as novidades nem se lembra dos clássicos essenciais para miúdos um pouco mais velhos;
quem toma conta duma biblioteca ou duma escola e quer assegurar que há sempre novidades;
quem quer garantir que não passa um mês sem que entrem em casa pelo menos dois grandes livros;
qualquer miúdo entre os 0 e os 14, ou graúdo que goste de livros!

A assinatura é trimestral, com portes incluídos, e inclui 6 livros (2 por mês) e 1 jogo no final dos 3 meses.

As inscrições para este primeiro trimestre terminam a 8 de janeiro, mas quem se inscrever até 15 de dezembro receberá uma xilogravura do Quem, como extra no seu primeiro PACOTE!

Depois de preencher o formulário, fazer a transferência do valor da assinatura e enviar o comprovativo, é só esperar pelo carteiro! A partir de janeiro, o PACOTE vai começar a chegar a casa e, em poucos meses, a prateleira-de-baixo de cada um irá ficando mais cheia, criando em cada criança o gosto pela leitura e o prazer de construir a sua própria biblioteca.

Sejam muito bem-vindos ao PACOTE!
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24.11.16

as quintas são contemporâneas: O rapaz do pijama às riscas


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O rapaz do pijama às riscas
John Boyne tradução Cecília Faria e Olívia Santos
1ª edição: 2008
Edições Asa
isbn 9789724153575
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23.11.16

as quartas são clássicas: O diário de Anne Frank

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O diário de Anne Frank
Annelies Marie Frank tradução Ilse Losa
1ª edição: 1947

Edição Livros do Brasil
isbn 9789723829112 (da reimpressão de 2003)

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15.11.16

T&BD

O T faz hoje 10 anos. Ia aqui pôr um jogo para festejar o miúdo que mais vibra com os "jogos de família", mas depois vi O Menino Nicolau e era impossível não o usar para o festejar! O menino T não é assim tão parecido com o menino Nicolau (embora todos sejamos um pouco parecidos com o menino Nicolau) e, talvez por isso, vibre com tanto disparate, teimosia e provocação.

Claramente um livro para a prateleira-um-bocadinho-menos-de-baixo, este Menino é muito bom para acompanhar os miúdos que já leem sozinhos e que aqui vão espreitando as aventuras tão normais e tão disparatadas deste miúdo tão normal e tão disparatado.

Não há dúvida que não há nenhum livro que dê tanto gosto ao T como uma boa BD.

A ida à Amadora e o encontro com um dos seus heróis-mais-que-tudo, Lucky Luke (Astérix e Gaston no resto do pódio), foi um momento alto dos últimos dias dos seus 9 anos.

É um leitor ávido e zangamo-nos muitas vezes para fechar a luz, "porque esta parte é mesmo emocionante!"...
Neste verão correu todos os Mark Twain do cardápio e ficou fã número um. Mas, para assinalar esta primeira brilhante década do T, não podia deixar de homenagear e agradecer aqui também à dupla Goscinny&Sempé que tantas alegrias trouxe e traz a este miúdo.

O modo como Goscinny entra no universo infantil, sem demagogias nem paternalismos, como o retrata e apresenta dum modo divertido, verdadeiro e com os olhos à altura dos olhos dos miúdos, é um portento.
Ao T, que diz não gostar de desenhar e faz desenhos incríveis desde que se lançou a experimentar sem medos,
sei que lhe agradam muitíssimo estes desenhos de Sempé cheios de simplicidade, modéstia e genialidade. Desenhos que, numa lição de "less is more", nos ensinam a desenhar.

Que venham mais 10 de T, o miúdo que vive com o coração nas mãos para quem o quiser apanhar.

Eu tenho a sorte de o ter todos os dias um bocadinho.
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O Regresso do Menino Nicolau — Eu sou o Maior
Teorema, 2009
R. Goscinny texto, Jean-Jacques Sempé ilustração
isbn 9789726958871



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8.11.16

Todos ao teatro!


Na verdade já ando nisto há quase 20 anos. Nisto do teatro, da cenografia, dos figurinos.
 
Em relação à arquitetura, sempre me agradou muito a rapidez e a certeza com que tudo acontece: a estreia está marcada e, dê lá por onde der, alguma coisa tem de acontecer em palco. Não há empreitadas nem empreiteiros, nem júris nem concursos, nem câmaras nem vereadores. Na verdade, às vezes, até há mais ou menos isto tudo (ver Subsídio), mas a partir do momento em que a estreia está marcada, não há empreitadas, júris ou câmaras que parem as máquinas (ver Maquinista).
 
É já amanhã que estreia uma peça em que fiz a cenografia e os figurinos e, agora que tudo está pronto para a cortina abrir, há um misto de cansaço e realização incrível (ver Estreia).
 
O teatro é uma coisa muito viva. Em relação à arquitetura, também tem isso: os atores não esperam, como esperam os clientes, para entrar no espaço. Eles já lá estão há meses, a repetir, a mudar, a experimentar, a criar, a recriar (ver Tempo). Depois a cenografia tem de chegar de mansinho — ou então dizer bem alto eu-estou-aqui, amanhem-se (ver Catarse)!
 
"Em casa de ferreiro espeto de pau" e a verdade é que ainda não tinha aberto este livro e ainda não o mostrei aos miúdos. Comprei-o num saldo da feira do livro (tem umas páginas em branco no meio mesmo a pedirem para serem desenhadas) e está no monte de onde vou tirando coelhos da cartola (ver Texto).
E este é mesmo mágico. Como mágica é o espelho negro que pensei usar e desenhei para a cenografia e que venho aqui encontrar na página 63!?... (ver Magia)
 
André Letria está nomeado para o prémio Alma e não é de estranhar. André Letria faz muito, experimenta muito, arrisca muito. De algumas coisas, confesso, não sou grande fã, mas estes atividários que faz com Ricardo Henriques são maravilhosos, arriscados e necessários e as suas desconcertinas, pequenos livros silenciosos, parecem haikus. A Pato Lógico é uma das editoras que me faz ter orgulho daquilo que se tornou o álbum ilustrado em Portugal (ver Ribalta).
 
Mas também de quem faz teatro devemos estar orgulhosos e, em jeito de provocação, aqui ficam quatro sugestões, duas para miúdos e duas para graúdos, para irem ao teatro em vez de ao cinema.
 
Graúdos:
Henrique IV, parte 3, de Jacinto Lucas Pires no TECA/TNSJ, no Porto (com a minha cenografia)   

A alegria e a tristeza na vida das girafas, de Tiago Rodrigues, no TNDMII, em Lisboa

Miúdos:
A origem das espécies — a partir de Charles Darwin, no TNDMII, em Lisboa
Do bosque para o mundo, de Inês Barahona e Miguel Fragata, no TSL, em Lisboa
E agora, muita MERDA —e não agradeçam, por favor (ver Merda)! 

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Teatro
Pato Lógico, 2015
Ricardo Henrique texto, André Letria Ilustração
isbn 9789899847057


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