20.1.17

Cidadãos

Um dia estranho este:
 o impensável acontece e o mundo pasma, mais ou menos assustado, com a notícia do dia que promete ondas de choque por muito muito tempo.

A propósito da notícia do dia, a propósito dum artigo que li, a propósito da questão israelo-palestiniana que o B resolveu levantar no jantar de terça-feira (!?...), junto aqui estes dois livros duma coleção que apareceu no final do ano passado, trazida dos idos anos 70.

São mais uma novidade com barbas que em boa hora conhece uma edição em português, com ilustrações contemporâneas no conceito,  mas com um cheirinho vintage na aparência. Foram para os sapatinhos de cada um dos dois mais velhos, no Natal, não sem que ambas as Avós comentassem que os livros tinham de "ser explicados" ou que eram "um bocado puxados".

São livros para os mais novos, sobre assuntos sérios — muito sérios —, por vezes duros, crus e muito difíceis.

Politicamente incorretos, ou não, depende do ponto de vista. O verdadeiramente assustador, digo eu, é que há demasiadas coisas que estão absolutamente na ordem do dia e outras que parecem retrógradas mas que continuam afinal, disfarçadamente, exatamente iguais, talvez pior. E como dar a volta a isto?

Temos miúdos em casa, temos o futuro por ali a fazer simulações de basquete pela casa, a ler pelos cantos, a cantar Sprinsgteen. Temos obrigações para com eles e para com o futuro.

Se me revejo totalmente na criatura a fazer yoga ali no pedestal dos 40,

não quero educar os meus filhos para serem o homem do bigode.

É bom fazer com eles o questionário que aparece no fim dos livros.

É bom que hesitem nas respostas porque há a resposta ao que é de facto e ao que devia ser.

É bom que se choquem um pouco, apenas o suficiente, para não se calarem perante as injustiças, para tentarem mudar o que está mal,

para lutarem com as mulheres e não contra elas por aquilo que é justo, para quererem pegar nas rédeas e guiar o cavalo para o melhor destino possível.

O R ouviu falar de homens-bomba ao jantar, pois é, mas reconheceu a palavra Síria e falou com os olhos a brilhar da menina daquele país que receberam na sua escola e foi percebendo a verdadeira diferença entre as duas palavras de cinco letras Obama e Trump;

o T ouviu com atenção a parte do discurso de despedida do primeiro que lhe mostrámos, onde a importância da palavra Cidadão foi sublinhada, bem como a confiança no trabalho da geração incrível que aí vem, a deles;

o B foi aprendendo a argumentar e a ouvir na discussão, treinando ao mesmo tempo a capacidade de escuta e a defesa daquilo em que se acredita, que precisam tanto de peso, conta e medida.

Há momentos assim no quotidiano dum jantar de semana, em que de repente crescem todos 5 cm ali mesmo à frente dos nossos olhos, e é incrível.
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As mulheres e os homens
Orfeu negro, 2016
Equipo Plantel texto, Luci Gutiérrez ilustrações
isbn 9789898327772

 


Há classes sociais
Orfeu negro, 2016
Equipo Plantel texto, Joan Negrescolor, ilustrações
isbn 9789898327765
































2 comentários :

  1. A mim não: obrigada à Media Vaca e à Orfeu Negro!
    E obrigada pela visita!

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