6.7.17

Cá estamos, cá somos

Ao contrário do Lá fora, este li-o duma assentada só. E confesso que o vou reler, logo que saia de férias.

O B leu o capítulo sobre a adolescência — eu aconselhei-o — para tentar(mos) perceber a lógica das várias reações ilógicas que por aqui aparecem.

O T pegou nele ao serão (conquista de férias dos mais velhos, onde lemos os quatro enquanto o R lê os seus próprios sonhos) e tornou-se impossível ler, tantos eram os hiii, ohhh e os a sério?? que soltava enquanto lia. Pedia máquinas de calcular para tentar visualizar os números impossíveis dos nossos neurónios, fingia que chorava por não ter o cérebro totalmente "crescido"...

Sempre pensei que aparecesse um Cá dentro, claro, mas que fosse sobre o corpo ou sobre a casa, com sugestões de atividades. Ser sobre o cérebro é uma boa surpresa, de facto, porque o cérebro é de facto surpreendente. E também precisa de sugestões de atividades.

Um livro de peso, o Cá dentro é ao mesmo tempo muito solto e leve. Sem deixar de procurar ser científico e exato, o texto é duma sensibilidade imensa. O que os antigos achavam que comandava a vida era o coração; hoje sabemos que o motor máximo é afinal o cérebro, por isso não é de estranhar que no meio de tanta informação, o que fique do livro seja uma enorme sensação de beleza, porque se tratar afinal da história da vida, das emoções, das relações, do órgão que nos comanda a todos de maneiras tão ricas e diferentes.

Como mãe e educadora, encontrar algumas repostas científicas para coisas que tenho comprovado, é à vez reconfortante e surpreendente; como leitora — como eles são — ler o livro é absolutamente fascinante.

As ilustrações da Madalena, que economiza nas cores mas esbanja no arrojo e simplicidade, fazem brilhar o texto da Isabel/Mª Manuel e vice-versa.

A imensa delicadeza do livro é construída pela interligação do texto e da imagem e é muito bonito perceber como se pode ensinar transmitindo conhecimentos e educando sentimentos. Afinal o cérebro é mesmo o Coração, e há aqui vários lindíssimos.

Ao ler este interessante artigo, lembro-me outra vez de como ainda é parco o universo da não-ficção em português para miúdos e de como o livro certo na hora certa pode fazer (finalmente) nascer um leitor.

E de como tenho a certeza de que este livro vai apaixonar tantos miúdos — e graúdos.

Espero sinceramente que a Planeta Tangerina esteja agora a trabalhar num Em cima ou num Em baixo, sobre as estrelas ou sobre o subsolo! A vida não é a mesma depois de termos estes Guias de exploração que nos fazem entrar em nós e no mundo, de frente e de olhos bem abertos.

Estão abertas as inscrições para o pacote™ de outono e as primeiras 50 ficam automaticamente habilitadas a ganhar um exemplar deste livro. Vamos a isso?
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Cá dentro — guia para descobrir o cérebro
Planeta Tangerina, 2017
Isabel Minhós Martins, Maria Manuel Pedrosa texto, Madalena Matoso ilustrações
isbn 9789898145819

2 comentários :

  1. Olá Sara,
    A partir de que idade é indicado este livro? O meu filho (7 anos em setembro) assistiu a uma palestra sobre o cérebro e, como é habitual, ficou cheio de curiosidade sobre o assunto. É possível explorá-lo a partir deste livro, ou é demasiado para a idade dele?
    Obrigada!

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    1. Olá Teresa, a própria editora aconselha a partir dos 10 e o 10 cá de casa já pegou nele. Diria que, para leitura autónoma, é essa a idade a partir da qual indicaria o livro. Mas, tal como o Lá fora, o livro pode ser explorado, lido e discutido em conjunto e tem algumas desafios que um miúdo de 7 já achará graça, com certeza. De qualquer modo, para si valerá sempre a pena e depois pega ele nele!
      Obrigada e até breve.

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