26.3.14

ler (e construir) o mundo aos bocadinhos

Hoje (dia 22), celebramos os 5 anos da prateleira com bandeiras: as bandeiras são coisas extraordinárias, toda a gente sabe disso.

As bandeiras são todo um mundo, literalmente.
Tudo começou não há cinco mas há seis anos atrás quando o avô trouxe duma viagem a agora famosa "bola das bandeiras". Decorria um qualquer campeonato e o miúdo B chutava a bola pelo menos tantas vezes quantas perguntava de que país era aquela bandeira e a outra e a outra.


Daí, já não sei porquê (talvez porque as bandeiras são coisas extraordinárias, toda a gente sabe disso), começámos a fazer bandeiras com papéis e pauzinhos do Aya que, também o avô, trazia dos seus almoços. Depressa tivemos de arranjar um livro de bandeiras para alargar o leque de conhecimentos que a mini bola nos dava.

Depois veio o T e outro qualquer campeonato nos lembrou das bandeiras. Construímos mais umas, aprendemos mais outras. Afinal o campeonato era outro e havia países repetidos, claro, mas outros eram novos.

Os anos passaram e num verão quente, veio do supermercado da praia um caderno com bandeiras autocolantes. As sestas eram produtivas e aprenderam — porque eles aprendem, eu só esqueço — mais um bocadinho do mundo.
No outro dia percebemos que o B sabe quase todos os países do mundo e onde são. Justifica-se, dizendo que está sentado no lugar ao lado do planisfério, de maneira que sempre que há uma pausa, vai estudando. Eu faço o mesmo, juro, sempre que estou na mesma sala com um mapa mundo, mas no dia seguinte já não sei se o Belise é no Benine ou vice-versa.

Agora o R encontrou as velhas bandeiras. Algumas desapareceram outras estavam moribundas, como alguns países. Depois de as recuperarmos (quem dera fosse tão fácil recuperar os verdadeiros) decidimos completar a Europa. Começámos pela ocidental e estamos a caminho da oriental.
Não é preciso muito: uns papéis de cores, uma cola e uma fita cola, uma tesoura e uns pauzinhos. Umas canetas também ajudam nalguns emblemas. Não há régua e esquadro nem medições; elas ficam mesmo bem, assim tortas e feitas à mão.

Separáramos por continentes mas o R não se conformou em não pôr a Argentina na Europa. Ele lá sabe.

E assim vai aprendendo a ler (e a construir) o mundo aos bocadinhos— Argentina, Brasil, África do Sul, Croácia — pelas cores e pelas formas, que também são palavras, grandes palavras.
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O livro das bandeiras/As bandeiras do mundo

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