26.5.09

post-comentário

Ontem apareceu este post e este post, não estranhamente, sobre o mesmo assunto. No segundo, pedia-se "Para ler, acrescentar, contestar e, sobretudo, reflectir." Aqui fica o meu post-comentário.
"Preconceitos quanto ao objecto 'livro'": A única vantagem que vejo, de facto, na capa dura é que torna os livros mais resistentes e, porque os miúdos não os lêem só uma vez como a maioria dos adultos (e não porque não têm cuidado com eles, o cuidado ensina-se e aprende-se) os de capa mole têm tendência a estragar-se mais depressa. Alguns livros funcionam melhor, esteticamente, de forem de capa dura, mas se esse for o motivo principal do valor acrescido do objecto, MORTE À CAPA DURA, JÁ.

"Preconceitos quanto ao conteúdo (texto e ilustração)": Na literatura infantil, como de resto na literatura em geral, há de tudo. Do péssimo ao estrondoso, do banal ao excepcional, do interessante ao corriqueiro. Há livros de histórias com reviravoltas no fim que os deixam imóveis, decepcionados até, mas que no dia seguinte são comentados porque fizeram pensar. Há livros de imagens que servem para as crianças aprenderem o que são as coisas, achamos nós; são os que lhes trazem uma imensa realização porque por um lado adoram rever o que já conhecem e, por outro, anseiam por saber o que é o que ainda não sabem.

"Preconceitos quanto ao público a quem se destinam": As crianças não são de outra espécie. As crianças somos nós, um pouco mais novas. Logo as crianças não são mentecaptas. Pelo menos algumas. Porque viveram menos tempo, e tiveram por isso menos experiências, sabem menos, podem menos. Ainda - porque, em potência podem muito mais que qualquer adulto. Ainda existe a evolução das espécies. Da humana também, espera-se.

"Preconceitos quanto à autoria": Há autores que só escrevem livros infantis, há autores que também escrevem livros infantis e há autores que um dia escrevem um livro infantil. E então?

"Preconceitos quanto aos objectivos": A última vez que vi os livros infantis serviam para, (como os outros, não?) ler, sendo que ler é prazer. A grande diferença é que, normalmente, quem escolhe o livro que vai ler não é, neste caso, a própria pessoa, a criança. Por isso parece-me que os objectivos poderão estar mais em quem escolhe o livro ou podem ser completamente diferentes de quem o escreveu ou desenhou. Como chegam à cabeça do destinatário, dificilmente, ou só muito mais tarde, chegaremos a saber.

1 comentário :

  1. Olá! Desde já obrigada por tanta partilha!
    Quanto às capas duras de livros infantis em Portugal são quase todos, no Reino Unido quase nenhuns, mas há aqueles em que até as folhas são duras o que eu acho optimos para as mãozinhas mais pequeninas, o meu filho já há uns meses que consegue folhear desses e sem estragar. Agora em comparação ao preço no Reino Unido os livros são mais baratos do que em Portugal e embora não seja só a capa dura que seja a causa, será que não ajuda a aumentar o preço? Afinal as páginas são tão importantes como as capas e são tão mais frágeis...

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