24.4.18

Liberdade ao quadrado

O 24 de abril é um dia preso entre um ramo de rosas e um molho de cravos. Por isso resolvi escrever hoje um postal em homenagem aos dias que deixamos passar sem fazer deles os mais bonitos da nossa vida. E o facto de podermos hoje ler um Livro em Liberdade é algo a assinalar em qualquer dia.

Educar para a liberdade não é tarefa fácil: temos de conseguir ultrapassar as nossas inseguranças ao mesmo tempo que lhes damos segurança para fazerem o seu próprio caminho.

O conceito de liberdade individual é mais ou menos fácil de ser apreendido pelos miúdos. Mas explicar a liberdade coletiva, falar sobre a liberdade de um povo, é bem mais difícil até porque hoje felizmente já só temos de o fazer num exercício de imagina que...

Todos sabemos que muito do que é educação passa pela imitação. Algumas coisas essenciais vão mesmo transbordando de mansinho para os miúdos sem nos darmos conta — nem nós nem eles.

Por outro lado, enquanto pais, replicamos muitas das maneiras com que fomos educados e fugimos a sete pés de outras. É nesse equilíbrio entre a imitação e a oposição que vamos conseguindo ser autênticos, espera-se. Ao mesmo tempo, os miúdos vão tentando também fazer as suas opções e encontrar as suas próprias opiniões nesse balanço entre a oposição e a imitação aos mais velhos.

A questão da Liberdade (assim com letra grande), sempre atualíssima, pode passar ao lado dos nossos miúdos, porque é tomada como adquirida. E é aí que uma história sobre a História pode ser muito útil para ajudar a aflorar um tema que tem de ser — ou queremos que seja! — pensado.

Frank, la increíble historia duna dictadura olvidada veio connosco da viagem a Madrid e é uma fábula. Fala sobre um menino que só gostava de quadrados e que ficou tão obcecado com isso que destruiu todos os retângulos, círculos e triângulos que apareceram à sua volta.

O facto de ser um conto escrito a partir de uma personagem da História de outro país ajuda-nos a distanciar e a ver as coisas sem ideias pré-concebidas.
De uma forma simples, mas dura, o autor vai revelando a história do menino Frank(o) até chegar de mansinho à questão fundamental que o levou a fazer este livro: a de que "há que recordar o passado para poder olhar para o futuro". Não podemos deixar apagar a memória coletiva, até porque todos os dias, em várias partes do mundo, o que não podia voltar a acontecer volta mesmo a acontecer.

Os miúdos podem facilmente tornar-se ditadorzinhos em pequena escala e cabe-nos a nós ajudá-los a gostar da diferença, a respeitar a oposição, a aceitar o contraditório e a ser intolerantes apenas com a injustiça.

E porque uma imagem vale mais que mil palavras, nunca é demais mostrar-lhes a riqueza que há em poder haver quadrados, retângulos, círculos e triângulos neste mundo, mesmo que o nosso favorito seja um quadrado perfeito!
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Frank, la increíble historia duna dictadura olvidada
Dibbuks, 2018
Ximo Abadía
isbn 9788416507894

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