19.10.17

oh! — que espanto

Este mês, para um dos pacotes™, resolvi mandar este OH! Não é nenhuma novidade, já tem barbas — mesmo, é de 1993 —, mas é um dos livros óbvios que não estavam ainda nesta prateleira.

O livro não tem uma única palavra e, se quiserem, também não tem realmente uma história. Mas há uma narrativa, há um jogo e exclamamos oh!, cada vez que levantamos a página e damos depois a volta, em loop.

Durante muito tempo era estranho para mim pensar nos livros por idades e, se quando organizei o site, arranjei, além de outras, etiquetas etárias, também é verdade que há muitos livros que inseri em várias idades. E se tento adequar o livro que envio à idade do menino que vai receber o pacote™, muitas vezes acho graça subverter isso.

Um dia destes, levei-o num conjunto de livros para falar a miúdos entre os 15 e os 17 anos. Pegaram nele e tentaram adivinhar que ilustração estaria escondida debaixo da página, tal e qual um miúdo de 2 ou 5 anos.

Expliquei-lhes depois que dificilmente iriam conseguir adivinhar essa imagem, mas que podiam tentar perceber que outra ilustração viria na página seguinte, tal e qual como a um miúdo de 3 ou 6 anos.

Perceberam rapidamente e começaram a dizer, em coro, um peixe, uma mola, um navio, um cachimbo, tal como diria um coro de meninos de 1 ou 10 anos.

São assim, muitos dos bons livros e especificamente estes livros sem palavras.
Por cá o Oh! foi o primeiro contacto que os meus miúdos tiveram com o surrealismo — ou não estivesse lá o cachimbo dA traição das imagens, de Magritte e o autor não fosse belga —
e sei que, nas noites em que regressam a ele, os sonhos que têm (ou fazem) são mirabolantes construções surrealistas que se desdobram umas nas outras, nas outras e — oh! — que espanto.
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Oh!
Kalandraka, 2007
Josse Goffin
isbn 9789728781712

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