31.5.17

Mãe não entra

Diz que hoje é dia dos irmãos. Parece-me um pouco tonto, mas talvez não esteja a ver bem, sei lá eu.
De qualquer modo, é a desculpa perfeita — se fosse preciso uma — para aqui trazer esta novidade bem fresca: a clássica história de troca de irmãos, aqui numa versão canina, onde no fim fica tudo acaba "certo".
Lembrei-me logo desta história que li há dois anos e que mais parece uma novela...
Um livro divertido, com belíssimas páginas (e uma decoração da casa buldoguiana de fazer inveja), com a pitada de humor suficiente para não deixar cair a força que a história traz presa a si, com uma trela.
Gosto especialmente das páginas em que o autor nos diz vamos ver outra vez, não vá estar alguém distraído! Dá para fazer um belíssimo teatro, com sotaque francês, e teatro é coisa que todos os irmãos gostam — principalmente à hora de deitar.
Às vezes os irmãos estão desajustados, como aparentemente estavam Gaston e a Antoinette na sua ninhada; mas é exatamente isso, um desajuste. Porque há sempre qualquer coisa de inexplicável que nos diz que estamos bem assim, no meio dos nossos irmãos, para lá de diferenças ou semelhanças, disputa ou cumplicidade.
E é por isso que no trio cá de casa, tão diferente que podiam ser mesmo um caniche, um buldogue e um —
aaa, podiam ter escolhido cães mais feios???
— de tão diferentes que são, passam de um dia em versão marretas, para um dia em que tenho de pôr o braço no ar para falar, porque aparentemente há mil assuntos inadiáveis a serem discutidos entre eles. 

E aí mãe não entra.
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Gaston
Orfeu Mini, 2017
Kelly DiPucchio texto, Christiane Robinson ilustrações
isbn 9789898327918

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