9.2.17

T.—<:, a grafia do riso?

O nome e o logotipo não podiam ser melhores e a notícia do aparecimento duma revista infantil assim, como é esta Triciclo, é mesmo uma alegria.

Há uns anos, tivemos a Pepino, um projeto totalmente diferente, mas igualmente interessante, que acabou por desaparecer. Pelo sucesso de abertura desta Triciclo, que esgotou em pouco mais de uma hora no dia do lançamento, espero sinceramente que não venha a ter o mesmo futuro. Eu encomendei a tempo a minha cópia, por isso aqui a temos.
Quando mandei as fotografias à mãe do amigo T do R para lhe mostrar o que estavam a fazer juntos cá em casa, ela perguntou-me que livro lindo era aquele. Este Triciclo não é um livro nem um brinquedo, é uma revista. Mas até tem livros dentro, livros-referência, livros magníficos.

A Triciclo é pensada e desenhada por 3 designers e isso vê-se. Impressa em risografia (não é bem a grafia do riso, mas quase), o aspeto das imagens é imperfeito e lindíssimo. Este número é de atividades, de modo que o R e o amigo T estiveram ontem em atividade, acompanhando o André.
A coisa está organizada em 24 páginas — duas por cada hora da vida num dia do André — e é claro que o nome André André (para quem não sabe, é mesmo o nome dum futebolista), veio à baila na página que deviam encher com palavras começadas por A. Foi bonito ver o R a lembrar-se de Amizade e Alegria, ou o T a lembrar-se do nome da irmã, ou como vibraram com a palavra arco-íris, naquela tarde em que, depois dum dia de chuva a sério, o sol voltou e eles puderam ir enlamear-se para o jardim antes de virem para casa.

 Na escola do R e do T, o método de leitura e escrita é misto; quer isto dizer que, na leitura, é uma mistura do global com o fonético e que, na escrita, os alunos começam por aprender e desenhar as letras em script e só depois passam para a letra pegada, vulgo cursiva. Ora isto dá uma enorme liberdade poética, digamos assim, no desenho das letras.


A lógica por trás desta ideia é que a letra script é mais simples de desenhar e de reconhecer e, ao mesmo tempo, treina já as direções e as curvas que fazem parte da cursiva. Isso faz com que a abordagem à leitura e à escrita seja mais rápida, mais fácil e resulte num enorme sucesso pois, melhor ou pior, os miúdos chegam ao Natal a ler e a escrever.

Num recreio, há umas semanas, o R escreveu esta carta-história e trouxe-a para casa, cheio de orgulho. Já está tudo lá, até — e principalmente — o prazer de ler e escrever.
Assim, é claro que, na página em que era suposto identificar os meninos do 1º e do 2º ano consoante aquilo que já sabem fazer, alegavam os dois que o menino que escrevia a composição era do 1º, porque, diziam-me, "nós também já escrevemos".

Na altura do B, questionei o porquê de passarem para a letra pegada. Parecia-me penoso fazer tanta curva e contracurva e afinal os nossos amigos anglo-saxónicos escrevem todos em script. A explicação que me foi dada deixou-me desarmada e convicta: a letra cursiva permite que cada miúdo consiga construir a sua própria letra, é um tipo de letra pessoal, e isso, disseram-me, é um grande valor na formação da criança.

Ainda há muitas páginas para preencher, algumas bem difíceis. Andámos todos de nariz na revista para os ajudar a encontrar palavras na sopa de letras, ou a encaixar frações de imagens minúsculas!

Mas eram horas do banho (ou da barrela, se preferirem)
e da sopa de letras, ups!, de couves.
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Triciclo nº1
Triciclo Editora, 2017
Ana Braga, Inês Machado e Tiago Guerreiro
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