1.2.17

Enfiar a carapuça

E damos as boas-vindas a mais uma editora-parceira do PACOTE!


Os Livros Horizonte quiseram juntar-se à prateleira-de-baixo e dei-lhes as boas vindas, até porque já por aqui tínhamos alguns favoritos: a fabulosa Maria Keil, um livro sem palavras de ficar sem palavras, um livro altamente provocador e politicamente incorreto, uma pérola que dei a uma amiga quando teve as gémeas e que adoraria voltar a ter na nossa prateleira, um livro todos os dias importante, cada vez mais, diria até.


Alguns dos segundos PACOTEs já vão ter livros desta nova casa-amiga e não resisto hoje a pôr este aqui na prateleira, até porque um pouco de auto-ironia faz sempre bem. O livro é uma novidade, o assunto não.

Ora, Pedro, este texugo — podia ser uma texuga, vá... eu enfio a carapuça — arrumava e organizava, era um fã de limpezas, lá para os lados da floresta profunda. A sua mania da organização leva-o a um tal ponto que acaba por matar aquilo de que mais gosta, a sua própria floresta.


E, bem, não quero aqui penitenciar-me pelo meu excesso de organização, mas, pronto, padeço desse mal. E é claro que me permite fazer um milhão de coisas em vez de só meio milhão, mas a verdade é que talvez estivesse feliz com esse meio milhão e não enfernizasse tanto as criaturas à minha volta: pássaros, raposas, coelhos ou família, amigos, alunos.


Não me consigo imaginar a dar a volta de 180º como fez o Pedro, mas confesso aqui publicamente o meu esforço sincero de "deixar para lá" mais vezes.


Nunca tinha posto um livro da Emily Gravett, uma premiadíssima autora britânica, e tenho alguma pena que alguns pormenores do lettering do livro na edição portuguesa não estejam perfeitos como o objeto merecia. É que além de hiper-organizada, também sou hiper-crítica.


A nossa casa não é uma floresta, é bem mais pequena, e muitas vezes perguntam-me como consigo — conseguimos — organizar-nos. Viver em pouco espaço cria um enorme sentido de respeito pelos outros, pelo sono dos outros, pelo espaço dos outros e dá muitos choques, é claro.


E lá anda a texuga a arrumar, a organizar, a mandar (enquanto este post ficou a marinar, ainda fiz um quinoto de abóbora, abacate, gengibre e avelã mesmo a condizer com as ilustrações, mais uma sopa tailandesa para o jantar)


e lá andam os pássaros, raposas, coelhos cheiinhos de paciência e boa vontade a fazerem desta floresta um belo lugar para viver.
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Arrumado
Livros Horizonte, 2017
Emily Gravett
isbn 9789722418270

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