8.3.16

Natureza e geometria

Andei a organizar as etiquetas do blogue e a tentar classificar os livros que aqui fui mostrando de acordo com a faixa etária.
 
Muitas editoras não fazem agora essa catalogação, principalmente, parece-me, porque os livros infantis que hoje surgem são objetos sem idade de destino. Muitos deles têm até textos com várias leituras, uma para os miúdos, outra para os pais deles.
 
Ultrapassei o lado meio dirigista desta tarefa herculiana decidindo colocar os livros em mais do que uma categoria. É que um livro pode ser incrível nas mãos de um bebé de dois anos que vibra com os desenhos nas páginas, mas pode também encantar um miúdo de seis anos que acabou de aprender a ler ou até servir de mote numa sala de aula para pôr um tweenie a contar uma história.
 
Mas este livro sei perfeitamente onde o pôr e é na faixa etária do R.
O fascínio pelo jogo de descobrir as letras aliado ao interesse que tem já em juntar algumas, fazem deste um livro perfeito para os dias que correm. Tem estado em repeat na nossa playlist
 
As adivinhas são fáceis mas divertidas e o último animal do catálogo deixou-nos perdidos. O T, do alto dos seus óculos, veio espreitar com ar entendido e anunciou que já sabia o que era.

Eu e o R estávamos totalmente às escuras até que se fez luz. E afinal era uma espécie de batota. Uma graça para o fim.
É que este livro não só se vê na vertical, como um bloco, como precisa da luz para revelar as personagens. Esqueçam por isso a leitura calma ao fim do dia: há que levantar o livro, virar a página, procurar a luz perfeita, puxar pela cabeça.

As folhas são vulgares, nada de luxuosos papéis ou transparências; o que é luxuosa é a ideia ovo-de-colombo de usar o avesso da folha como complemento da página. Uma ideia do final dos anos 70 — e não são tão desse tempo as cores que se revelam no contraluz?

Com mais ou menos dificuldade, lá vai o R adivinhando as letras que faltam e surpreendendo-se, sempre como da primeira vez, com o desenho que aparece e com a maneira como as cores se misturam.
No final ainda mais espantados ficámos quando percebemos que todos os desenhos são feitos com quartos de círculo e triângulos!
 
Os miúdos ficaram fascinados com uns desenhos que fiz ontem com uns ramos, técnica que aprendi numa aula com o Kiah Kiean. Combinámos que hoje, quando chegassem da escola, iríamos experimentar desenhar com eles.


E que bom foi juntar-lhes os carimbos que temos com as formas que o Ed Emberley usou neste livro: 

uma belíssima mistura de natureza e geometria.
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E tu, vês o que eu vejo?
Bruaá, 2105 (primeiro editado em 1979)
Ed Emberley
isbn 9789898166265


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