17.2.16

Uma baleia na cama

E nem de propósito, vem-nos parar uma baleia à banheira. (Eu disse que não ia estragar o final do outro livro mas a vida é assim e uma coisa leva a outra....)

Este é uma novidade e quando o folheei tive a sensação boa de estar a ver alguma coisa de totalmente nova, ao mesmo tempo que encontrei lugares antigos: não consigo deixar de ver esta baleia como uma mistura muito feliz entre O tubarão na banheira e o Perdido e achado: tubarões, pinguins, baleias e meninos; histórias de solidão e de encontro.
 
As ilustrações são muito boas — a casa faz as minhas delícias — e têm a qualidade rara de tratarem o mundo duma forma realista, ao mesmo tempo que o desenho é assumido como desenho, ilustração, síntese e não com pretensões fotográficas.

Recentemente lembrei-me de um ritual que tinha com eles quando eram mais pequenos porque, há uns dias, quando entrou em casa, o B deu de caras com um livro novo que parecia plantado ali para ele o ver. Não o tinha feito de propósito, mas a cara de felicidade dele fez-me querer repetir a graça.
De modo que hoje, depois de chegarmos do jardim onde fomos dar uns toques de bola para dizer bem vindo! ao sol, fui observando.

E assim foi. O B tinha chegado antes de nós e já o tinha lido, pois claro. Lembrou-se "daquele do pinguim" e duvidou que o autor se chamasse mesmo Benji, que é um dos nomes que lhe damos.

O R já conseguiu ler ba-le-i-a (assim mesmo, sem ditongos e porque em baixo estava uma baleia, pois claro) e foi sorrindo, cúmplice, porque havia uma baleia na banheira, como no outro livro, e porque no fim estavam um menino e o seu pai, uma baleia e a sua mãe (baleias são sempre as mães, aparentemente) e também um miúdo com a sua mãe, ali, a ler uma história no chão, depois do banho.

É engraçado como lemos um livro de maneira diferente quando o lemos para nós ou quando o lemos para outra pessoa. A meio da história o R perguntou pelo pai do Noé; julgo que achou estranho que o miúdo estivesse tanto tempo sozinho (são só umas páginas, mas como se percebe a passagem do tempo). Só aí reparei que o pai, desde que se apercebe que o filho se sente sozinho, nunca mais sai das páginas do livro.

Depois voltámos a ler tudo outra vez, pois claro, e só à segunda encontrámos os seis gatos anunciados logo no início da história. Vitória.

O T andou distraído, de maneira que amanhã lhe vou perguntar se não reparou numa baleia na cama.
 
 Se bem o conheço, vai adorar a graça.
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A baleia
Benji Davies
Orfeu Mini, 2016
EAN 9789898327635

2 comentários :

  1. Recentemente lembrei-me de um ritual que tinha com eles quando eram mais pequenos porque, há uns dias, quando entrou em casa, o B deu de caras com um livro novo que parecia plantado ali para ele o ver. Não o tinha feito de propósito, mas a cara de felicidade dele fez-me querer repetir a graça.
    De modo que hoje, depois de chegarmos do jardim onde fomos dar uns toques de bola para dizer bem vindo! ao sol, fui observando.
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