29.9.15

nome próprio

No verão, num passeio a Braga para ir ver uma belíssima exposição do Tomás, visitámos A Brasileira lá do sítio e claro, a livraria. A 100º página é uma espécie de gruta de livros, um lugar ótimo, portanto. Nós ficámos felizes por ver o Quem por lá em destaque, os miúdos ficaram felizes por trazerem mais um livro para as férias; parece que estão sempre a fazer falta, como a fruta ou o pão.
 
Depois de algum trabalho a convencer o R a não escolher um Phineas e Ferb (atenção, somos altamente fãs do P&F, mas os livros dos desenhos animados são normalmente desastrosos), trouxemos um dos hits de verão: Os sete irmãos chineses.
 Adaptado da tradição oral chinesa, o conto é bastante medieval, digamos assim, mas ao mesmo tempo muito doce.
 
Tenho três filhos, não é propriamente uma multidão, mas mesmo assim faço o que todas as mães fazem: quando quero chamar um, digo os nomes dos outros primeiro. Sempre. E às vezes incluo um tio, ridículo...

A mãe desta história não partilhava da minha ideia da importância dum nome próprio forte e, para não se enganar, chamou os miúdos todos de Li. É certo que a senhora teria mais desculpa para se enganar do que eu, que tenho três e um de cada nação; os dela eram sete e todos iguais.
 
Bem, a história é magnífica e muitíssimo bem narrada. O sete irmãos afinal eram cinco porque o mais novo, à laia de filho pródigo, tinha partido em busca de fortuna e o sétimo só aparece, ternamente, na última página, já depois do desenlace da história. 
 
Nesta espécie de babyboom pela qual estou rodeada, nem parece estranha esta catrefada de irmãos. É que, afinal eles não são tão iguais assim, e cada qual com o seu talento incrível, engana à vez o malvado imperador que, injustamente, tinha condenado à morte o irmão mais velho. (Sim, à morte, e também há degolações, fogueiras e torturas atrozes. O livro é mesmo bom.) 

É afinal o estróina do mais novo, a quem não não conhecemos nenhum talento especial, que salva o dia com as suas lágrimas de tristeza ao regressar e saber que o irmão ia morrer envenenado sem que nenhum dos outros irmãos — ou ele — tivessem qualquer superpoder para o impedir.

Ao tirar as fotografias para colar aqui, apercebi-me que as imagens assim mais pequenas facilitam imenso a leitura das ilustrações. O especialíssimo André da Loba não torna tarefa fácil ler estes lindíssimos desenhos tangrâmicos e labirínticos.

Além de brutal e terno, o conto tem imenso humor que faz sorrir o R.
 A mim faz-me sorrir que o que salva realmente os irmãos é o último desejo que cada um pede enquanto condenado: "ver a sua mãe".
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Os sete irmãos chineses
OQO editora, 2013
Rodolfo Castro texto, André da Loba ilustrações
isbn 9788498714340  

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