13.3.14

não largar e deixar ir o balão vermelho

Enquanto lia a história ao R pela quinta vez em cinco dias, e me distraía a ver o lápis e as impressões com blocos de madeira da Erin Stead,

pareceu-me que o Sr Bonifácio funcionava para os seus animais como têm de funcionar os pais para os filhos: de uma forma um pouco esquizofrénica. Explico: enquanto que a uns têm de empurrar para a frente, a outros têm de pôr travão, enquanto uns estão a precisar de mimo, outros precisam de espaço.

Outros precisam só que lhes assoem o nariz. Muitas, muitas e muitas vezes.
O Sr Bonifácio fica doente e não vai nesse dia ao Zoo, de modo que os animais fazem a viagem inversa, no autocarro número 5,

para ir dar ao Sr Bonifácio o que costuma ele dar-lhes: atenção, uma coisa preciosa, certo, mas a dar com conta, peso e medida, como dizem as sábias avós. Porque a um dado momento é mesmo bom e necessário que os animais, perdão, os miúdos, saibam fazer essa viagem de volta,

com delicadeza e naturalidade, como estes magníficos animais, perdão, desenhos.
É preciso atenção e é preciso dar atenção.

Uma sábia professora diz muitas vezes a frase politicamente incorreta que não é o mundo que se tem de adaptar às crianças, mas que são elas que se têm de adaptar ao mundo. Elas são o mundo já já amanhã, digo eu.

E quem não quer um belo mundo?
O livro ficou na quinta da última vinda, no Natal, deixado pelo N. Agora não há como escapar-lhes todas as noites, ao elefante, ao hipopótamo, à tartaruga, à coruja, ao pinguim.

E a todos os pormenores que ainda se descobrem pela primeira vez à quinta leitura ou continuam a surpreender à sexta, como os dedos dobrados dos pés do Sr Bonifácio ou o padrão invejável da sua colcha.
 
Difícil vai ser devolvê-lo.
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O dia em que o Senhor Bonifácio ficou em Casa Doente
Editorial Presença, 2013
Philip Stead, texto e Erin Stead, liustrações
isbn 9789722351362
emprestado!

2 comentários :

  1. Obrigada por mais este belo texto. De vez em quando venho cá espreitar, na esperança de que tenha surgido mais um. E apesar de ter uma filha já com quase 12 anos e agora uma bebé com 3 meses, o que não será bem a idade dos donos da "prateleira de baixo", não resisto e tenho comprado vários livros aqui sugeridos. Que são sempre muito bem recebidos cá por casa :)

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    1. Obrigada. Tenho muita coisa para por na prateleira-um-bocadinho-menos-de-baixo!

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