1.6.11

as folhas das marés

Guincho. Pinhão. Vieira. Martinhal. Verde. Cordoama.

A minha praia é um lugar misturado de cheiros, sons e pele, numa espécie de sonho, à conta do calor, do sal, do sol, dos primos, do silêncio nada silencioso debaixo de uma onda.
O sol agora obriga-nos a ir e vir e já não passamos o dia inteiro na praia como fazíamos com os nossos pais.

(Há coisa melhor que dormir a sesta na barraca? Os sons a ficarem cada vez mais longínquos, o vento, as ondas: isto não é nenhum poema; mas sim, é saudosismo.)

Mesmo assim, gostamos de ser os últimos a sair do areal na companhia das gaivotas, já de noite com os olhos a habituarem-se à escuridão do caminho nas dunas, com os seus cheiros de deserto, quentes e fortes.
Somos ávidos coleccionadores de pedras e conchas.

No momento de regressar à cidade temos sempre a tarefa ingrata de deixar para trás baldes e baldes de conchas e pedras. Depois, trazemos demais, ainda, que lá para Dezembro e coração partido, deitamos fora do frasco que ficou 3 meses na cozinha a lembrar-nos A praia.

Disse aos miúdos que este livro não tem letras mas tem muitas histórias lá dentro. E eles entretiveram-se a descobrir onde tinha ido tomar banho a senhora do jornal

ou quantos rapazes mergulhavam do rochedo

(levantando e baixando muito rápido as folhas das marés).

Não sei se o Bernardo usou o brinquedo novo lá do atelier PT, mas suspeito que sim. As imagens lembram-me este e este que continuam em alta aqui na p-d-b. De modo que temos estas pessoas todas felizes-cor-de-rosa

(com um escaldão, mesmo!),
que se apertam quando a maré sobe.
Entre os quadros da maré, onde o R quer apanhar cada figurinha,

há os zumes (acordo ortográfico?) sobre várias figuras nos seus múltiplos afazeres. Mas não há uma bola neste livro, ninguém a jogar futebol, nem raquetes, petanca, peteca, paddle, vólei, nada. O autor é surfista, não deve parar na areia e suspeito que não deve ser fã de bola. Quando os meus miúdos derem conta disto vão achar mesmo muuuuuito estranho!

Bem, na verdade também não há pranchas.
Tenho pena que não tenha incluído este seu belo texto (roubado daqui)

neste livro (outro!) magnífico: simples, inteligente, lindíssimo. É que não é só um livro só de imagens: nele estão centenas de intrigas, namoros, brincadeiras, verbos, tempo, histórias enfim.

(E viva o formato e o papel tipo grande-caderno! Dá vontade de desenhar.)
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Praia-mar
Planeta Tangerina, 2011
Bernardo Carvalho
isbn 9789898145321
primeiro visto aqui
comprado aqui

5 comentários :

  1. Olá!
    Nós também somos cinco e também vamos com tios e primos e avós para a(s) praia(s). Mas ainda ficamos o dia todo. Tanta gente, tantos chapéus de sol. É fácil para quem quiser dormir a sesta. Uns (abaixo dos 6) conseguem; outros (acima dos 30 e tal) também. Quem fica no meio fica a ler e a jogar ao prego.
    Bom Verão!

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  2. obaaaaa! chegou o verão! logo tentamos falar...bjs b

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  3. a ver estas personagens todas ao sol apetece ir a correr de volta a praia. e de preferência sim, o dia todo!

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  4. I don't understand most of the language, but the illustrations look amazing. Makes me want to jump in the sea right away...

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  5. that's fine, Maja. This book is "illustrations only" Even a slovenian who lives in Israel can and does understand it! (ps: love the pikula bags)

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